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Conceber a actividade colectiva conjunta: o inquérito dialógico. Estudo de caso sobre segurança na indústria da construção
A primeira parte do artigo propõe uma teorização da noção de «actividade colectiva». A noção de «processo», muito presente na investigação e nas práticas da gestão, reenvia para a actividade colectiva conjunta, combinação de actividades locais que fazem apelo a competências distintas. A configuração dos processos de uma organização é contingente e definida pelo inquérito reflexivo dos actores sobre a sua própria actividade colectiva. O processo e o inquérito reflexivo que o constrói são dialógicos (Todorov, 1981): o seu sentido constrói-se de maneira dinâmica, através das interacções entre actores. A actividade colectiva é mediatizada semioticamente. O inquérito no sentido pragmatista (Dewey, 1938) procura fornecer respostas operatórias para situações de dúvida, combinando raciocínio e acção e introduzindo no processo uma dimensão avaliativa. A actividade colectiva, através do inquérito, inscreve-se numa configuração sócio-espácio-temporal específica, o seu «cronótopo», que induz os contornos da comunidade de actores implicada e o referencial de sentido ao qual o inquérito pode apelar. Na segunda parte, o artigo apresenta um estudo de caso sobre uma abordagem colectiva empreendida com a finalidade de melhorar a segurança no trabalho nos estaleiros da construção. O estudo está focado sobre o processo «conceber e planificar o projecto de construção». É adoptado um método de inquérito colectivo reflexivo sobre o processo, implicando os seus actores como co-investigadores. Um grande problema para a segurança identificado pelo grupo é a separação profunda, em termos gestionários e culturais, entre concepção, preparação e realização. O sentido do trabalho e das situações constrói-se através de dois processos de cronótopos separados: «conceber e planificar o projecto» e «realizar a obra». A análise proposta conduz à revisão em profundidade da definição dos universos profissionais, dos referenciais de sentido e dos conceitos, abolindo a distinção entre mundo da concepção e mundo da execução tal como é habitualmente compreendida nas empresas e pelos investigadores. As implicações são numerosas para as competências, a definição dos valores e dos papéis profissionais, os instrumentos técnicos, os sistemas de gestão e a atribuição de recursos.
